segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

PRAÇA SÃO SEBASTIÃO - PARTE 2

 Continuando a falar sobre a Praça São Sebastião,em Conselheiro Lafaiete.

  Vimos na postagem anterior,que a praça foi melhorada na década de1940,durante a administração do Prefeito Mário Rodrigues Pereira. E até existia um pequeno zoológico,é o que vemos na foto de 1945 abaixo.

 

                         Praça em 1945   Fonte: Álbum 1: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino, 2001 

                        Igreja em 1942.  Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001

 

 
Praça na década de 1940.  Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001
 

  Praça em 1964.  Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001

 

  Vou falar sobre o texto que o saudoso escritor Gilberto Vitorino de Souza (1929-2004) escreveu sobre a praça,no Jornal Panorama de 1979. Assim ele disse:

PRAÇA SÃO SEBASTIÃO PARTE II

 "Era a maior e melhor casa do novo bairro de Lafaiete. Localizada em pequeno monte, de lá avistava-se toda a encosta da velha cidade, passando pela grande várzea até o local onde estavam os trilhos da estrada de ferro, recém-chegada à Queluz. Ali ficava a chácara do Pacífico Vieira, que veio da Fazenda do Pequeri de baixo para a Vila de Queluz em 1862. Aqui, ele adquiriu a área de toda a várzea e a da atual Rua Dr. Campolina, Wenceslau Braz, Luis Leite e parte de Olaria. A residência de Pacífico Vieira serviu, no futuro, como hospital com o nome de Hospital São Sebastião. Depois de paralisado, o hospital cedeu lugar a uma delegacia e alojamento de soldados, de forma que este lugar ficou conhecido como Várzea do Pacífico naquela época. Em 1921 ficou conhecida como Praça do Pacífico Vieira e nela o Guarani Esporte Clube foi fundado em 7 de setembro de 1910.  Na década de 1920 a multidão comparecia à praça para assistir os jogos e nos fins de 1921 o Guarani já possuía seu novo campo no alto da Vista Alegre.

Pacífico Vieira, homem de visão progressista, notou a influência da estrada de ferro a partir de 1883 e anteviu o crescimento do bairro junto às linhas férreas. Loteou e vendeu grande parte de seus terrenos, permitindo que a Câmara Municipal dividisse a grande várzea para abrir novas ruas, desta forma surgiram as ruas Dr. Campolina e Wenceslau Braz, sendo construída na esquina desta última rua a casa do Sr. Gerônimo de Oliveira.

Em 1905, foi construído pelo povo, na base do novo bairro uma capelinha, na qual raríssimas vezes havia missa. Em 1909 o Pe. Antônio começou a trabalhar em Lafaiete e com muito trabalho e ajuda do povo ampliou a capela. Este padre foi substituído em 1913, porém em 1917 voltou a ocupar o posto e fez algumas modificações, introduzindo uma pequena casa paroquial. Agora o local passava a se chamar Várzea de São Sebastião e já estava cheia de residências. Em uma esquina estava o Freitas, que tinha uma ferraria e fabricava ferraduras e foices, em outra esquina ficava a tradicional Padaria Flor de Minas, do Sr. José de Souza. Nesta Várzea se armavam circos e parques, era o ponto predileto para peladas de futebol, soltura de pipas e reunião dos garotos da parte de baixo. A Várzea ficou mais movimentada com a construção do Grupo Escolar Pacífico Vieira, com a Sociedade Beneficente Italiana, com o Clube dos Boêmios, com a fábrica de cervejas e ainda com a ampliação da capela e sua elevação à Matriz.

Na década de 1940 o então prefeito Dr. Mário Rodrigues Pereira resolveu urbanizar o local e ali surgiu um belo jardim, arborizado e moderno. Nele foi feito um jardim zoológico com pequenos animais e muitas aves. Aí as crianças iam com seus pais aos domingos e este local tinha o nome de Praça São Sebastião. Nela também tinha sorveteria com mesas ao ar livre, o que aumentava o público jovem neste local. Embora as placas indicassem o nome oficial de Praça São Sebastião, o povo a batizou de Quitandinha, isto devido a fama do grande hotel Quitandinha de Petrópolis. Quase ninguém pronunciava o nome da praça, a não ser Quitandinha. Ainda hoje, com a imponente Matriz, com seu jardim, sem as primitivas árvores, sem aves, animais, sorveteria e música, ainda a chamam de Quitandinha. Mas também nesta praça ainda residem pessoas da velha guarda, as quais acompanharam as modificações da região. Talvez olhem pelas janelas e, cheios de saudade da sua Várzea do Pacífico, sua Várzea de São Sebastião e sua Quitandinha, hoje tão mudada."

 Fonte:SOUZA, Gilberto Victorino de - Jornal Panorama, Ano II, nº 52 - 27/05/1979

         http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html


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