quarta-feira, 30 de agosto de 2023

FOTOS DE FERBER EM LAFAIETE

  Há 125 anos nascia o Fotografo Feber que andou pelas Minas Gerais,e tirou diversas fotos pelas cidades. Você sabia que João de Almeida Ferber esteve na antiga Queluz de Minas (atual Conselheiro Lafaiete) entre as décadas de 1920 e de 1930 ? 

 Abaixo estão algumas fotos tiradas por Ferber na nossa cidade de Conselheiro Lafaiete,e depois foram entregues ao Acervo do Arquivo Público Mineiro (APM) pela família. Não sabemos quantas vezes Ferber esteve na cidade,mas certamente em 1927 ele veio aqui. Veja abaixo as fotos dele.

 


Conselheiro Lafaiete ,ao fundo vemos a Matriz Nossa Senhora da Conceição,foto identificada como MM121 (02) sem data (provavelmente de 1927)

foto:João Antônio Ferber (original) ,acervo do APM

 

Avenida Prefeito Mário Rodrigues Pereira,provavelmente da década de 1930,foto sem data. Nessa Ferber optou em colorir essa foto,vemos seu nome no canto esquerdo da foto. foto identificada por MM 122.

foto: Ferber (original) Acervo do APM 

Ao fundo no canto esquerdo Capela do Carmo,ao centro vemos as duas torres da Matriz e no canto esquerdo o antigo Necrotério do Hospital Queluz .foto de 1927,identificada pelas letras MM 121-01 .

foto:Ferber (original),acervo do APM 


 

essa foto identificada por MM 120 é da Praça Barão de Queluz (vê o antigo Fórum e ao fundo a Igreja Santo Antônio,provavelmente de 1927. 

foto:Ferber (original) ,acervo do APM.

  Pode ser que existem outras fotos de Ferber,mas foram essas quatro fotos que consegui. Curiosamente essas fotos só foram reveladas a gente após 2006,após a família doar elas ao APM.

Quem Foi Ferber ?

 João de Almeida Ferber,nasceu em São João Del Rey MG em 30 de agosto de 1898. Filho de João Américo Ferber e Josina Almeida Ferber. 

 Foi desenhista,pintor,arquiteto e professor da Escola de Belas Artes em Belo Horizonte. Em 1938 foi para Corumbá MS (época pertencia ao Mato Grosso) para trabalhar na construção da Estrada de Ferro Brasil Bolívia. 

 Nos anos de 1930 fotografou e coloriu,com rara sensibilidade,as cidades antigas de Minas Gerais,quando começavam a despertar interesse como representantes do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ,e tirou várias fotos em Ouro Preto,Mariana,Belo Horizonte,Conselheiro Lafaiete e entre outras. Várias fotos estão no acervo do Arquivo Público Mineiro (APM) Os documentos fotográficos foram acumulados pelo titular e doados ao Arquivo Público Mineiro pela Sra Lacy Ferber Teixiera Torga (irmã de João de Almeida Ferber),em 27 de julho de 2006.    O histórico do titular foi elaborado a partir de entrevista concedida pela Sra Amarílis (filha de João de Almeida Ferber) a funcionária Milene Rabelo em 12 de maio de 2009..

O fotografo João Almeida Ferber faleceu em 1 de janeiro de 1971. 

fonte:Arquivo Público Mineiro (APM) / coleção e Danilo Zioni Ferreti

Fontes: 

http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/acervo/fundos_colecoes/JAF/INVENTARIO_DA_COLECAO_JOAO_DE_ALMEIDA_FERBER.pdf

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

ANTIGA RUA DOS PINHEIROS

 Hoje vou falar sobre uma antiga rua da cidade de Conselheiro Lafaiete,que no início era uma rua só e depois foi desmembrada em duas:

 Pela lei municipal número 350 de 12/5/1926 a Rua dos Pinheiros,foi divida em duas ruas,a Benjamin Constant e Artur Bernardes. E seu término era na antiga Capela dos Pinheiros. Mas houve tempos que a atual Rua Adolfo Siqueira (que segue sentido São Vicente) fazia parte da rua dos Pinheiros.

No Jornal Panorama de 1979,o historiador Antônio Perdigão,escreveu assim sobre a antiga Rua dos Pinheiros (atuais Rua Benjamin Constant e Rua Artur Bernardes) : 

 " Ruas que faziam parte da Estrada da Corte. Inicialmente foram construídas as primeiras casas e mais tarde estas ruas eram utilizadas como caminho para chegar à Fazenda dos Amarais, que ficava no atual Bairro Santa Matilde, de modo que o povo chamava este de Caminho das Bananeiras.

Há dúvidas sobre o primeiro nome, devido à pronúncia, alguns diziam Rua dos Pinheiros, e outros dos Espinheiros. De forma que até nos livros de lançamentos da Câmara Municipal de Vila de Queluz é encontrada as duas denominações acima descritas. Contudo tudo nos leva a crer que o certo seria Rua dos Pinheiros, isto devido ao maior número de registros com esta citação.

 Nos Pinheiros surgiram os primeiros fabricantes das Violas de Queluz, famosas em todo o país. Caetano Meireles e Augusto Alves Campos possuíam ali suas fábricas de violas e violões. A rua iniciava ao lado da Capela do Carmo, que já foi demolida, e possuía um acesso difícil, pois seu lado direito era formado pela encosta de um morro. O trajeto era feito por um boqueirão e na época das chuvas, os moradores passavam em um trilho, num local mais alto, a fim de evitarem a lama. Da Capela do Carmo até a igreja do Bairro São João, a rua era composta por pastos e chácaras. À direita havia os terrenos do Zeca Albino, à esquerda o pasto que pertencia ao Sr. José Corrêa de Figueiredo, que foi presidente da Câmara. O campo do Flamengo Futebol Clube fica no terreno onde estavam os pastos. Havia também o pasto do Dr. Lustosa, engenheiro da Cia Morro da Mina, que executou obras para a colocação de água potável na cidade. Entre os moradores destacou-se José Silvestre de Freitas, pelas suas ideias progressistas e trabalho em prol da comunidade. Entre as obras que dirigiu estão as construções da antiga Santa Casa de Misericórdia - Hospital Queluz, Colégio Nossa Senhora de Nazaré e a residência do vigário, Pe. Américo Tait-Son. Também foi um dos idealizadores da primitiva Capela de São João, no local onde hoje se encontra a igreja do Bom Pastor (atual Igreja São João). Outro que também se destacou foi Alfredo Zebral, presidente da Conferência de São Vicente, e deu grande contribuição para o lado social e católico da rua. Uma das primeiras casas de negócios pertencia ao Braz, era um armazém formando um pequeno empório, com variado sortimento. Entre as figuras de grande popularidade havia o Pedro Siqueira e sua esposa Dona Firmina, que moravam perto da capela; Izabelinha e seu Bonifácio, pais do antigo sapateiro Romeu Menezes.

Em épocas passadas havia as famosas festas de São João realizadas na Capela, com fogueira, leilão, rezas juninas, e missa festiva no dia 24, tendo à frente o vigário Pe. Américo Tait-Son, auxiliado pelos festeiros. Havia famílias tradicionais na rua como Dona Sudária; o Valtério das bicicletas; o Cicinho, um dos primeiros motoristas de táxi da cidade e o Seu Galimedes. Com o passar do tempo a rua se desenvolveu e o município a dividiu em duas partes: do início ao meio passou a se chamar Rua Benjamim Constant e, o seguimento de Rua Artur Bernardes. Nesta última foi fundada uma pequena associação, que hoje se transformou num dos clubes mais animados da cidade: o “Bando da Lua”, e nesta rua também está o esportivo do Flamengo Esporte Clube.

Asfaltada e com grande comércio, cresceu tanto a região que se desdobrou no Bairro São João. No lugar da pequena capela, surgiu a majestosa igreja de Bom Pastor (atual Igreja São João). No trajeto surgiram oficinas, escritórios, armazéns e prédios modernos, restando pouca coisa da antiga Rua dos Pinheiros.

ORIGEM DOS NOMES: Benjamim Constant- um dos fundadores da República do Brasil, professor e jornalista. Artur Bernardes- presidente do estado de Minas Gerais e da República."

Fonte: Jornal Panorama, Ano III, nº 62, Agosto de 1979.

 http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html

NOTAS DO ARTIGO DE 1979: Na verdade a antiga Capela do São João,é a atual Igreja de São João (mas na época essa igreja ainda pertencia a Paróquia do Bom Pastor do bairro Santa Matilde,só tornou paróquia em 1990)

Para saber mais:  Veja postagem Bairro São João ,Igreja de São João Batista parte 1,2 e 3 (arquivos de junho de 2017), Bairro São João Parte 1 e 2 (junho de 2021) e devoção a São João em Conselheiro Lafaiete (junho de 2023).

Livro "Se essa rua fosse Minha" de Lucy de Assis Silva,escrito em 2000,que fala sobre a história dos moradores da antiga Rua dos Pinheiros. 

RUA DOS PINHEIROS ,APÓS 1979

Final da Rua Benjamin Constant e à esquerda entrada da rua Artur Bernardes. por volta dos anos de 2000.

foto:Cópia de Mauro Dutra de Faria (foto original não identificada)
 

 A Rua Benjamin Constant que sua numeração é iniciada próximo ao número 13 (onde tem um oratório de Nossa Senhora do Carmo) e vai até o 582 e termina na confluência da Artur Bernardes e Alfredo Elias Mafuz(rua que vai para o Bairro Santa Matilde). Atualmente uma rua com diversos tipos de comércios como: Supermercado,materiais de construção e lojas de diversos tipos.

 A Rua Artur Bernardes (inicia próximo ao número 597 onde era a sede do Clube do Bando da Lua e extende até o número 1150,e termina na praça da Igreja São João) também é uma rua com diversos tipos de comércios. 

 Ambas as ruas nos últimos anos,tiveram a perda de casas antigas e nos seus lugares viraram lojas diversas. existem poucas casas antigas nessas ruas citadas.

Rua Benjamin Constant (seu início) por volta de 2019

foto:imagens da internet



terça-feira, 15 de agosto de 2023

60 ANOS DA COROAÇÃO PONTIFÍCIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

  Hoje comemora se os 60 anos da Coroação pontifícia da Imaculada Conceição,ocorrido na parte de trás da matriz Nossa Senhora da Conceição de Conselheiro Lafaiete.  Tudo isso aconteceu numa quinta feira 15 de agosto de 1963,com presença de milhares de pessoas,além de várias autoridades e diversos padres.

foto:reprodução


ANTERIOR À COROAÇÃO

 No ano Mariano de 1954 teve o Congresso Mariano ocorrido em Lafaiete,entre dias 11 e 15 de agosto ,e nessa ocasião o Arcebispo de Mariana Dom Helvécio Gomes de Oliveira,ao final da celebração entregou ao pároco da Matriz Monsenhor Moreira um telegrama do Santo Padre,sob várias palmas,e na mente do pároco tudo se disponha para preparar bem a coroação pontifícia.  ¹

 A imagem precisava de uma coroa bonita,e foi feito concurso e o desenho escolhido foi aquele feito pela estudante do Colégio Nazaré a aluna Beatriz Lopes Vieira. Mas já sobre o processo da coroa foi confeccionada em ouro pelo Joalheiro de Belo Horizonte Raimundo Viana e sendo projetado pelo artista e professor Celestino Roig,sendo que antes teve uma campanha na cidade e região para recolher materiais banhado a ouro ,como colares,anéis e entre outros materiais para ajudar na confecção da coroa.  ²

  No livro "Fatos e Vultos " de Monsenhor Moreira,diz assim:  " Com antecedência,o Papa João XXIII ,pelo breve pontifício "Instante" de 2 de junho de 1961,havia concedido o privilégio da Coroação Pontifícia da Imagem da Imaculada,Celeste e principal patrona da Cidade de Conselheiro Lafaiete. Igualmente,pelo breve Apostólico "Quidquid ad Pietatem " ,de 17 de agosto de 1961 ,assim se expressou o Pontífice: " Concedemos ao Venerável irmão Dom Oscar de Oliveira,arcebispo de Mariana que seja imposta uma coroa de ouro na Imagem da Santíssima Virgem,sob o título de Imaculada Conceição  e conservada na igreja paroquial da cidade de Conselheiro Lafaiete. " 

1963

 Anterior a Coroação teve missões redentoristas,em março e abril,e também e um tríduo festivo entre dias 12 e 14 de agosto. 


DIA 15 DE AGOSTO DE 1963  MOMENTO DA COROAÇÃO 


Foto do dia 15/8/1963 vemos as autoridades presente e o povo ao fundo ,e acima vemos o mapa de Conselheiro Lafaiete com a imagem da santa ao centro.

foto:Reprodução facebook Realmente Amigos de Lafaiete


Na foto Governador Magalhães Pinto,ao centro o Arcebispo de Mariana Dom Oscar (coroando a Imaculada Conceição) e ao lado Monsenhor Moreira,pároco da Matriz.

 Assim Monsenhor Moreira no seu livro conclui : "Surgiu o dia esperado,quinze de agosto,em que celebrou ,na praça do congresso,o bispo Lafaietense Dom Daniel ,com assistência pontifical do senhor Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota. A oração gratulatória coube ao delegado pontifício ,Dom Oscar de Oliveira. Entre os altos dignitários do cenário político nacional,via-se o governador de Minas Gerais,Dr. José Magalhães Pinto,cercado de várias autoridades .Chegou o momento da grande expectativa. Cônego Moreira ,acompanhado de briosa guarda de honra ,entregou a rica coroa,alvo das atenções ,ao governador,tendo à direita o Prefeito Orlando Baêta Costa;dirigiram-se para o trono da Virgem,onde o delegado pontifício ,Dom Oscar de Oliveira,entre emoções,cânticos,músicas,fogos,palmas e sorrisos,serenamente,coroou a imagem da Imaculada Conceição... "

 Ao final monsenhor Moreira falou " Haverá,pergunto eu,coroa mais bela e mais preciosa em nosso Estado ?  

 

Nota: Praça do Congresso - é a praça atrás da Matriz (pertence a Praça Barão de Queluz,nunca teve o nome "praça do Congresso". ) 

ESTÁ PRESENTE ATÉ NO HINO DE CONSELHEIRO LAFAIETE

 No último parágrafo do Hino diz assim:

 Uma estrela resvala do céu,
É Maria, a Patrona celeste,
Quanta glória te foi concedida,
Quanta fé, nos destinos, nos deste.

FESTAS APÓS 1963

 Em 14 de agosto de 1983(domingo) foi comemorada os 20 anos da coroação ,e teve presença do governador de Minas,Tancredo Neves(1910-1985)

Em 15 de agosto de 2013(quinta feira) foi comemorado os 50 anos da coroação,com celebrações na matriz.

No ano de 2023 está previsto a comemoração dos 60 anos,e no próximo dia 20 vai ser celebrada uma missa as 15 horas no Ginásio Agostinho Campos Neto,para lembrar a comemoração

PATRIMÔNIO MUNICIPAL

 Pelos decreto de 120 de 22/6/2021 decretou o tombamento da coroa pontifícia.

 E o decreto 121 de 22/6/2021 decretou o tombamento da histórica Imagem de Nossa Senhora da Conceição.

fonte: ¹ Livro " Fatos e Vultos" de Monsenhor José Sebastião Moreira,páginas 56 a 59 ,edição de 1982. Ed. Esdeva Gráfica Ltda . 

² Reportagem do Site Lafaiete Agora,edição de 15 de agosto de 2022 

PARA SABER MAIS SOBRE MATRIZ DE LAFAIETE

 Veja postagens anteriores :dezembro 2016,dezembro 2017 (patrimônio da Matriz,Párocos da Matriz,Monsenhor Moreira)

terça-feira, 8 de agosto de 2023

BAIRRO SANTO ANTÔNIO

  Hoje vamos falar sobre o bairro Santo Antônio em Conselheiro Lafaiete.

 Antes de começar quero agradecer aqueles que acompanha o blog essa semana chegou a 150 mil visualizações. Para saber mais sobre o bairro veja postagem de junho de 2017 (Morro das Cruzes e também sobre a Igreja Santo Antônio de Queluz; em janeiro de 2018 sobre a casa onde nasceu Antônio Perdigão e em novembro de 2018 sobre Rua Francisco Lobo e Capela da Piedade de abril de 2017,Colégio Nazaré em julho de 2017).

 Assim falou o historiador Antônio Perdigão sobre o bairro Santo Antônio no Jornal Panorama de junho de 1979:

  " Em 1866, no alto da colina, os portugueses festejaram a conclusão da Capela de Santo Antônio. Inicialmente ela não tinha a torre, em seu lugar havia um obelisco de granito, e na década de 40 foi retirado o obelisco para a confecção da torre. Haviam dois sinos do lado esquerdo, nos quais eram jogadas pedras por meninos para ouvirem o som. As novenas, rezas e festas de Santo Antônio são as mais populares da cidade desde o século passado. Desde o tempo da Vila de Queluz, os leilões eram feitos por “Canjica”, com músicas, fogos de artifício, canjica, pau de sebo e outros que preenchiam o nosso folclore.

Em 1870 foi fundada a Irmandade de Santo Antônio de Queluz, uma das Associações mais antigas da cidade que cuidava e zelava pela capela e patrimônio, além de auxiliar aos necessitados com ações de caridade. Joaquim Lourenço Baêta, o Barão de Queluz, foi um dos primeiros provedores da Irmandade.

Em 1885 foi fundada no bairro a primeira agência dos Correios, a qual funcionava em uma antiga casa da atual Rua Cel. João Gomes, de propriedade da família Lôbo da Silveira.

Em 1905 chegaram à cidade as Irmãs da Congregação da Divina Providência, e a elas foi doada uma pequena casa e terreno para construírem um orfanato. Este imóvel foi doado pelo Padre Américo Taitson e dali nasceu a mais antiga casa de ensino, o Colégio  Nossa Senhora de Nazaré, construído em toda a extensão da atual Alameda Oswaldo Cruz.

Também no início da colina, em 1904, foi fundada a Santa Casa de Misericórdia, atual Hospital Queluz. O projeto do imóvel foi feito pelo jornalista Dr. Castilho Lisboa, sendo os primeiros diretores Dr. José Caetano da Silva Campolina, presidente da Câmara; Francisco de Assis Bandeira; João Gomes Ferreira; José Gerspacher e Francisco Diógenes Baêta. Esta teve o apoio dos médicos Assis Andrade, Mário Rodrigues e José Narciso de Queiroz. Defronte à capela foi construída pela Santa Casa, o primeiro necrotério da cidade.  O serviço da entidade era feito pelas irmãs do Nazaré.

Em 24 de março de 1907 o bairro comemorou a colocação da primeira caixa d’água, construída no governo do Dr. Campolina. A inauguração teve festa com palanque de autoridades, bandas de música, fogos e discursos. Já em 1919, o então presidente da Câmara, Cel. João Gomes Ferreira inaugurou outra caixa d’água, localizada atrás da capela e que é utilizada até hoje.

A escola noturna de Inácio, a fonte de Santo Antônio, a casa de armarinho da síria libanesa Cecília e João Gilelete e o açougue do Ozório foram os locais típicos do bairro. Os populares do local eram Egídio Batista, Gervásio, Mário Zebral, Anêlo Deoclassiano, José Ferreira, entre outros. Os Padres Américo Taitson, Padre Lobo e Monsenhor Galdino mantinham residência no bairro.

Atualmente o bairro está diferente, mas mantém o Hospital São Vicente, a Sociedade de Auxílios Mútuos, a sede do Ex-Combatente de Conselheiro Lafaiete e grande comércio."

 Fonte: Jornal Panorama, Ano II, nº 55, junho de 1979.http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html

 NOTA APÓS ESCRITO:  Na verdade a Igreja de Santo Antônio foi construída em 1751 e foi reformada ou aumentada por volta de 1864 (na lateral da igreja tem a data 1864).

 O Hospital Queluz foi fundado de forma oficial em 1908 .

 A Associação dos Ex combatentes era na Praça João Ferreira,foi desativada porque os ex pracinha já faleceram.

hospital Queluz em 1934. Sua magnífica arquitetura é de linha suíço germânica ,pois o prédio foi projetado pelo Eng° José Gerspascher (de origem suíça) que pertenceu a 1° diretoria do hospital,na época Santa Casa de Misericórdia.  foto:original Museu Antônio Perdigão

  O BAIRRO APÓS 1979

Igreja de Santo Antônio,à sua esquerda Colégio Nazaré e a Frente os fundos do Hospital Queluz,ano de 2015    foto:Antônio Noronha
 

  O Bairro tem diversas ruas e algumas praças. Em 2016 o Jornal Correio da Cidade fez uma reportagem sobre o Bairro na edição de 7/5 a 13/5/2016 e fala dos pontos de referências do bairro como a Igreja ,Colégio Nazaré e a Praça José Ferreira (que no passado foi sede da Associação dos Expedicionários) . 

 A atual Alameda Oswaldo Cruz mudou de nome em 24/5/1998 para Praça Madre Tereza Grillo Michel (lei n° 4258 de 1998). (ver detalhes postagem sobre o Nazaré em julho de 2017)

PRINCIPAIS RUAS

 Largo de Santo Antônio,Rua Comendador Baeta Neves,Rua Miguel Garcia, Rua Coronel João Gomes e Praça José Ferreira.

segunda-feira, 31 de julho de 2023

BAIRRO MORRO DA MINA - PARTE 2

  Em postagens anteriores de dezembro de 2017,falei sobre a mineração do Morro da Mina (partes 1 e 2) e também falei sobre o Bairro Morro da Mina . Quem não viu pode lá conferir nos arquivos do blog de dezembro de 2017.

  Hoje na segunda parte vou recordar sobre esse antigo bairro de Conselheiro Lafaiete. Numa postagem do jornal Panorama,o historiador Antônio Luiz Perdigão (1918-2010) falou sobre o bairro numa postagem de março de 1979.


 Região do Morro da Mina,por volta de 1938

foto:Acervo do Jornal Panorama

 

Assim Antônio Perdigão escreveu no Jornal Panorama edição de março de 1979 sobre o Bairro Morro da Mina:

   " A razão do nascimento e desenvolvimento deste bairro é a mina de manganês, de forma que tudo girou em torno da exploração, desde pessoas, negócios e moradias.

Morro da Mina era o nome dado à colina que se localiza ao norte de Lafaiete, onde se pesquisava o ouro. Inicialmente como grande produtor de manganês, ainda assim esse minério era considerado de baixa porcentagem. Com o passar do tempo Morro da Mina passou a ser um dos maiores produtores no mundo.

Antigamente a propriedade nada valia, e foi vendida por Francisco Antunes Siqueira a Artur Fornazini em 1896, e, somente em 1901 foi iniciada a exploração. No final deste mesmo ano a propriedade foi passada para o grupo G. E. G. Fontes & Cia, já que a exploração exigia maiores recursos financeiros para sua execução. Os primeiros engenheiros a prestarem orientação técnica foram Lopes Ribeiro e Joaquim Almeida Lustosa, este último continuou até 1921, ano em que a empresa foi formalizada com o nome de Companhia Morro da Mina.

Durante a guerra na Europa, de 1914 a 1918, a mina exportou grande quantidade de minério, gerando sua prosperidade. Em 1920, a United Steel Corporation teve interesse pela mina e a Companhia Meridional, sendo sua subsidiária, tornou-se compradora da mina.

Quando o Barão de Queluz trouxe água potável para a cidade, em 1880, os mananciais estavam no Morro da Mina e por canalização eram trazidos até o Largo da Matriz, onde ficava o grande Chafariz.

Em 27/10/1906 foi celebrado um contrato assinado entre a Câmara Municipal e a Companhia Meridional, sendo que esta última faria o abastecimento com águas oriundas do manancial da Mostarda. A Companhia Meridional construiu uma grande caixa d’água para abastecer a população.

De início, o armazém do Sr. Castanheira era o único que abastecia a população com gêneros diversos, este armazém, mais tarde foi repassado à Firmino Augusto Lana. Já o primeiro açougue pertencia à José Bernardino.

A Escola Meridional foi uma das primeiras escolas a funcionar na cidade, ela foi fundada 08/08/1915, e foi organizada e mantida pela Companhia Meridional. O primeiro diretor foi o profº José Augusto de Almeida, em seguida ocupou a diretoria Lúcia Maria Bandeira Furtado de Mendonça, mais a frente, D. Geny Paes Sanna, e atualmente ocupa a diretoria a senhora Sarah Sanna Sanella. A Companhia inaugurou um novo prédio para a escola, a qual foi colocada no centro de belo e vasto jardim, com seção de mineralogia, quadros e peças diversas.

O bairro, sempre socializado, abrigava pessoas alegres e promovia festas culturais e esportivas. Nas festas religiosas e também em outras, havia apresentação do coral regido pelo mestre Abílio Dias, este coral se originou da Banda União Musical de São José (1918) que era regida pelo profº José Augusto de Almeida. O salão social do bairro serviu para animados bailes, festas e peças teatrais, mais a frente este local passou a servir como espaço para aulas de catecismo, dadas pela saudosa D. Ziroca.  A maioria dos habitantes do bairro era de formação católica. Havia antigamente uma capela de madeira, cujo padroeiro era São José, esta capela era desmontável e devido ao pouco espaço que nela havia, o Santíssimo era guardado em uma casa do lado. Hoje, a capela que existe é de alvenaria e está subordinada à paróquia do Sagrado Coração de Jesus, sob a orientação do Monsenhor Hermenegildo Adami de Carvalho.

Os carnavais do Morro da Mina eram os mais animados, e, nos bailes havia a participação da orquestra local. No centro da cidade o povo esperava o “cordão do Morro da Mina”, que os animava na praça Tiradentes. Os animadores do cordão e do carnaval foram Chico Cardoso, Antônio de Almeida e Antônio dos Santos. Outra atração carnavalesca era o Bumba-meu-boi, sob a direção do Sr. João Paulino e a seguir do Sr. João de Deus.

O bairro destacou-se também nos esportes. O Meridional Esporte Clube foi fundado em 07/09/1922 e atuava num campo deste bairro, já na década de 30 passou a atuar à Rua Barão de Suassuí, no antigo campo do Queluziano. Atualmente neste bairro encontra-se o melhor campo de futebol da cidade, com gramado e iluminação, pertencendo ao Mineiro Esporte Clube.

Pessoas de todas as ruas e bairros são lembrados pelos serviços prestados, dos quais estão os benfeitores Chico Cardoso, Domingos Ramos, Paulino Ricieri, D. Virgínia Rodrigues dos Santos, José Rosa de Lima e seu irmão Nestor, além destes, os antigos operários Antônio Felipe Ferreira, e ainda, Serafim Sanna, que durante anos fez parte da diretoria da Companhia. Desde que entrou, em 1915, ajudou a fundar a escola, também incentivou a banda de música, apoiou o carnaval, o esporte e a igreja, e ainda criou a biblioteca da escola, que tem seu nome como patrono.

Uma das características apresentadas pelo bairro é a nomenclatura das ruas, que em vez de nome, possuem números para identifica-las. Hoje já não existem as construções antigas, e, novas casas, comércio, farmácias formam o bairro, que é ligado ao centro por ruas asfaltadas."

 Fonte: Jornal Panorama, Ano II, nº 66- Março de 1979

 http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html

MORRO DA MINA APÓS 1979

  A capela de São José do bairro foi reformada em 1995,e agora também ela vai passar por outra reforma.

  A Antiga Escola Meridional foi desativada. E a nova escola Municipal Meridional foi construída na parte alta do bairro Morro da Mina e entregue pela Empresa Vale . E sendo inaugurada em 25 de julho de 2023. 

 A Mineração do Morro da Mina,  desde dezembro de 1999 está sob o comando a empresa Vale.

Mineração morro da mina  nos tempos atuais          foto:Imagens da internet

Veja também:

postagem Cruz da beata (março de 2017) ,Mineração em Queluz (partes 1,2 e 3 - postagem de julho de 2018) e Orville Derby em Queluz (julho de 2021) .

sexta-feira, 28 de julho de 2023

PRAÇA GETÚLIO VARGAS - PARTE 4 ( GETÚLIO VARGAS JÁ ESTEVE EM LAFAIETE ? )

Hoje vou lembrar do artigo que o historiador Antônio Perdigão (1918-2010) escreveu para o Jornal Panorama em 1979,falando sobre a Praça Getúlio Vargas,bairro Centro de Conselheiro Lafaiete. E também vou falar se Getúlio Vargas se esteve ou não na cidade.

  Veja nas postagem de dezembro de 2017,eu escrevi sobre a Praça Getúlio Vargas partes 1,2 e 3 e mostra toda a evolução dessa praça desde os tempos que era apenas a Fazenda Castanheira. 

Praça Getúlio Vargas e a travessia da Central,foto por volta de 1940.

foto:Etelvino Leite
 

  Assim Perdigão,falou sobre a Praça Getúlio Vargas: 

" Localizada no final do caminho da Estação, perto da travessia que separava a cidade de Queluz do novo bairro de Lafayette, o local ficou conhecido por muito tempo por Largo do Castanheira. Castanheira adquiriu grande área do terreno, que começava desde o alto do morro, conhecido como Morro do Castanheira (atual conjunto do BNH) até ao Boqueirão.

No local onde inicia a Avenida Telésforo Cândido de Rezende ficava uma casa em estilo colonial, ao lado do armazém. Nos fundos um grande rancho que servia aos tropeiros, que transportavam cargas para o interior. Todo o comércio e movimento se concentrava nas terras do Senhor Castanheira.

O movimento ferroviário fez crescer o bairro do outro lado da linha férrea, fazendo com que grande parte do comércio descesse para as proximidades da Estação. Após a Guerra do Paraguai, a atual Rua Melo Viana recebeu o nome de Rua do Riachuelo e o Largo do Castanheira passou a Largo do General Ozório.

O Largo, em franco desenvolvimento, foi tomado por residências e comércio, e, em 1895 abrigou a redação do semanário “Queluz de Minas”, que era dirigido por Luiz Leite. O marco principal do Largo foi o Hotel Meridional, que segundo algumas fontes foi construído por Zeca Albino. O prédio tinha status de local elegante, lá a Companhia Meridional de Mineração manteve seu escritório na cidade. O hotel possuía orquestra própria, por lá aconteciam bailes carnavalescos e comemorativos, banquetes importantes, reuniões políticas e tudo quanto era elegante acontecia lá. O hotel foi administrado durante longo tempo por Leonídio Dias.

Dr. Castilho Lisboa, jornalista e advogado, manteve seu escritório no Largo, local que tempos depois recebeu o nome de Tavares de Melo. Neste local funcionava também a papelaria e a tipografia do Martinho, o armazém do Luiz Frische, mais acima a casa de negócios de Firmino Vieira Júnior, onde futuramente foi instalada a primeira casa de máquinas de costura Singer, gerenciada por Lalentim. Funcionou ali também o jogo do bicho, que foi trazido para a cidade. O italiano Viscardo Lourezioni, conhecido como “Barbado”, colocava uma caixa no alto do poste contendo o nome do bicho que daria à tarde. Quando as apostas eram encerradas, Barbado descia a caixa e anunciava o nome do bicho premiado. Neste Largo havia também a farmácia do Chico Franco, que era ponto dos intelectuais e latinistas.

Na década de 20, no local onde existia uma casa, foi construído o palacete da família Castanheira, que tempos depois foi derrubada para a abertura da Avenida Telésforo Cândido de Rezende. Em 1927, o presidente da Câmara José Narciso Teixeira de Queiroz iniciou o calçamento da praça e a seguir de toda a cidade.

Devido à chegada dos primeiros automóveis, foi colocada na praça uma moderna bomba de gasolina. Em frente ao Hotel Meridional os “jahús” do Álvaro, Valentim e Careca, e depois os modernos ônibus do Zé Amarelo faziam os pontos de suas linhas que iam até o Bairro Santo Antônio. Na praça havia a casa de móveis de Samuel e a pastelaria de José Henriques. Aquela praça recebeu o nome de Getúlio Vargas, e, na década de 50, quando já era grande o movimento de ônibus urbanos e interurbanos, o então prefeito Telésforo Cândido de Rezende resolveu construir ali uma estação rodoviária, a qual foi demolida depois para a abertura da nova avenida.

Atualmente a praça abriga as Rádios Carijós e Clube, o Clube Atlanta, restaurantes, farmácias, escritórios, casas comerciais e o magnífico relógio público, doado pelo Rotary Clube de Conselheiro Lafaiete. A praça moderna e movimentada conserva duas coisas do tempo do Largo do General Ozório: O Hotel Meridional e o Sinal da Travessia, com seu som interrompendo o trânsito."

Fonte: Jornal Panorama, Ano I, nº 51- Maio de 1979

 http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.htm

  APÓS 1979

 Nos anos de 1980,foi construído o Viaduto Duartina Nogueira de Rezende e inaugurado em 1981,e com isso o citado relógio foi transferido em frente ao prédio dos Irmãos Oliveira (na avenida Prefeito Telésforo,número 100). E a praça virou calçadão e hoje ponto comercial de diversas lojas e camelôs. 

 GETÚLIO VARGAS JÁ ESTEVE EM CONSELHEIRO LAFAIETE ?

  Curiosamente o escritor lafaietense José de Assis Silva,em 2013 lançou o livro " Lafaiete de Getúlio a JK  (três décadas da vida de uma cidade) .  Mas nesse livro falou do período desses dois presidentes comandavam o Brasil,e como era a realidade de Conselheiro Lafaiete entre os anos de 1930 a 1960. Mas no livro não falou nada se Getúlio veio a Lafaiete.

  Dizem os antigos que Getúlio Vargas já esteve sim em Conselheiro Lafaiete. Mas não encontrei nenhum registro oficial  da vinda do ex presidente a cidade. 

  No dia 31 de maio de 1931 ocorreu na Igreja de São Sebastião de Lafaiete (a cidade ainda chamava Queluz ) a benção da nova igreja,e sendo que na ata fala da presença de algumas pessoas na igreja como o bispo da época Dom Helvécio,e cita que Olegário Maciel era o Presidente de Minas Gerais (à época) (não é certo se ele esteve no dia) e cita o Presidente do Brasil Getúlio Vargas. Mas pela data não seria possível estar em Lafaiete nesse exato dia veja porque. 

  No site de Aparecida confirma que Getúlio Vargas esteve no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1931 no Rio de Janeiro,no dia que vários fiéis estava na capital federal no dia que o presidente Getúlio decretou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.  (saber mais veja esse link abaixo).

 Como em 1931 para ir ao Rio de Janeiro só havia possibilidade de ir por trem que era mais de 12 horas só ida ou  de carro era muito demorado. Nessa data Getúlio Vargas não veio a Lafaiete.  

 Posso concluir que em 31 de maio de 1931,Getúlio Vargas não poderia ter vindo aqui em Lafaiete,já que ele no mesmo dia participou de um grande evento no Rio de Janeiro,pelo que li na ata eu entendi refere a quem era o  presidente da época e não que ele tenha vindo na igreja. Vou continuar a pesquisa para ver se consigo alguma informação concreta se Getúlio teria vindo a cidade em uma outra ocasião,quem souber fale nos comentários.

Fontes:

  /www.a12.com/academia/artigos/por-que-nossa-senhora-aparecida-e-padroeira-do-brasil

ttps://www.minasgerais.com.br/pt/atracoes/conselheiro-lafaiete/paroquia-de-sao-sebastiao

terça-feira, 25 de julho de 2023

AVENIDA PREFEITO MÁRIO RODRIGUES PEREIRA

  Hoje vou falar da Avenida Prefeito Mário Rodrigues Pereira,região do bairro Centro de Conselheiro Lafaiete.

  Foi uma das ruas que mais trocaram de nomes. Primeiramente vou recordar um texto escrito pelo historiador Antônio Perdigão (1918-2010) para o Jornal Panorama de 1979 sobre a referida rua e depois falarei sobre a rua.

 No livro de Perdigão,ele diz que as ruas tiveram esses nomes : Rua do Carmo,Rua Barão de Triunfo, Avenida João Pessoa,Avenida Benedito Valadares,Avenida Nossa Senhora do Carmo e Avenida Prefeito Mário Rodrigues Pereira.  ¹

Avenida Pref. Mário R. Pereira na década de 1930

foto:Postagem do Facebook "Realmente Amigos de Lafaiete" (não identifiquei o autor da foto original).


 

Assim Perdigão escreveu para o Jornal Panorama na edição de Março 1979:

AVENIDA DR. MÁRIO RODRIGUES PEREIRA

  "Saindo do Largo da Matriz, atual Praça Tiradentes, havia uma estrada que servia de passagem para carros de boi e tropas, o qual dava acesso ao sítio das Bananeiras, hoje bairro Santa Matilde. Este trecho fazia parte da Estrada Real, que liga Rio de Janeiro à Vila Rica (Ouro Preto).

A capela de Nossa Senhora do Carmo, construída no século XIX, situada no início da rua dos Pinheiros, hoje Benjamin Constant, influenciou o núcleo residencial à sua volta. Perto da capela foi construído um sobrado, que abrigou a sede da Câmara Municipal da Vila de Queluz, neste sobrado residiu por longo tempo o Capitão José Albino de Almeida, conhecido por Zeca Albino.

Este antigo caminho recebeu o nome de rua do Carmo, devido à capela, e mais tarde passou a se chamar rua Nossa Senhora do Carmo.

Em 1894, alguns rapazes criaram o Grupo Cênico dos Carijós e em 1895 construíram nesta rua um barraco coberto de zinco, com paredes de paus roliços e taquara para apresentarem seus espetáculos. Neste mesmo ano, foi construído um prédio com dois pavimentos neste mesmo local, abrigando o Teatro Santa Cecília. Atualmente aí se encontra o Clube Carijós.

A rua cresceu e foi arborizada. O cemitério, que ficava no interior do adro da Matriz foi transferido para um morro atrás da capela do Carmo. Atrás da capela havia também a fonte do Carmo, que servia água fresca e limpa.

Em 1912 a rua do Carmo recebeu melhoramentos, neste ano foi fundado o Clube Carnavalesco Carijós, com sede inicial localizada em casa na esquina com a rua Assis Andrade. Em 1917 o clube adquiriu o prédio do Teatro Santa Cecília, onde permanece até hoje.

Em 1923 a rua recebeu o primeiro ginásio masculino da cidade, o ginásio Queluziano, que possuía seu Tiro de Guerra. A sede do ginásio foi ocupada posteriormente pelo Hospital Nossa Senhora do Carmo, e adiante pela delegacia de polícia. Nesta rua também funcionou a escola do Professor Virico, e após a revolução de 30 a rua passou a se chamar avenida João Pessoa. Em 1937 lhe foi dado o nome de avenida Benedito Valadares, depois de 1954 voltou a ser avenida Nossa Senhora do Carmo e atualmente, em homenagem ao grande médico e homem público tem o nome de avenida Dr. Mário Pereira.

Rua famosa e cheia de tradições, já foi palco do “Passo da Semana Santa”, abrigou chafariz, igreja, festas religiosas, farmácia, padaria, teatro, e também o prédio da escola Domingos Bebiano, construído em 1926. Grandes personalidades residiram aí como os presidentes da Câmara Zeca Albino e Aprígio Andrade, o prefeito Dr. Mário Pereira, Seu Virico, Oliveiros de Souza, Chico Barão, as famílias Albino, Albuquerque e Campolina.

Atualmente no local do antigo paço municipal, ergueu-se o Palácio da Prefeitura. Está situado também o moderno prédio do Clube Carijós, onde funcionou o Teatro Santa Cecília e o Clube Carnavalesco Carijós. A praça Nossa Senhora do Carmo, no fim da avenida nos remete à nostálgica capela do Carmo, com seus profetas e lendas."

 

Fontes: Jornal Panorama, Ano I, nº 50- Março 1979

  http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html

¹  livro "De Villa Real de Queluz a Conselheiro Lafaiete (Pelas ruas da Cidade) edição de 2007 escrito por Antônio Luiz Perdigão. (Entre páginas 97 e 99)

 ² Escrito de Allex Milagre para o jornal Correio da Cidade,edição 23/8 a 29/8/2008 " A Memória do Doutor Mário Pereira" . 

Avenida depois de  1979

 Após 1979. Vimos sendo demolidas várias casas antigas,entre elas o solar do Zeca Albino (hoje é o atual numero 184)  em março de 1979 (mas já estava em ruínas após seu incêndio em 1959),a casa modernista do ex Prefeito Dr Mário em agosto de 2008 (atual número 84) ,sendo que em 2022 a casa antiga de número 158 também foi demolida e além de outras casas.

 A Velha Capela do Carmo era do Século XVIII ,demolida nos anos de 1950. E onde hoje é o Pronto Socorro Municipal (n° 175) no passado era o Hospital Nossa Senhora do Carmo que fechou em 1973. 

 Nessa avenida que ainda funciona a prefeitura Municipal (n° 10),,Pronto Socorro municipal (n° 175),Escola Domingos Bebiano (n° 248) e além de vários comércios . A avenida ainda é destaca por várias plantações de palmeiras do seu início ao fim.   

Avenida no ano de 2021,vendo as palmeiras e abaixo uma casa antiga (n° 104) que era da Família Mafuz.

foto:Autor da Postagem,6/4/2021


 Homenageado

 O Prefeito Mário Rodrigues Pereira foi prefeito de Conselheiro Lafaiete,entre 1934 a 1945. Sendo um dos melhores que passaram por nossa cidade. 

Prefeito Mário Rodrigues Pereira               foto:reprodução biblioteca pública de Lafaiete


 Segundo o Historiador Allex Milagre (1971-2009) o Prefeito Mário nasceu na fazenda da Cachoeira em Carandaí,aos 19 de junho de 1898,era filho do Major Francisco Rodrigues Pereira (Chico Barão) e Maria Alves Pereira.  E faleceu em 10 de setembro de 1964,aos 66 anos.  ²

Saber Mais

 Veja o livro "De Villa Real de Queluz a Conselheiro Lafaiete (Pelas ruas da Cidade) edição de 2007 escrito por Antônio Luiz Perdigão. Entre páginas 97 e 99

 Veja nos arquivos desse blog as postagens de ruas antigas parte 1 a 4 (novembro de 2017)