Hoje vou lembrar sobre a Praça São Sebastião,em Conselheiro Lafaiete.
Uma praça que já existia no final do Século XIX,chamavam o local de Varginha,e com a construção da igreja,o local passou ater o nome do padroeiro local.
Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001
Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001
Foto da igreja na década de 1930
Fonte: Álbum 3: Fotos antigas de Conselheiro Lafaiete, MG. LEITE, Etelvino. 2001
Fonte: Jornal Panorama, Ano II, nº 52 - Maio 1979 (Praça São Sebastião,década de 1940) Vou falar sobre o texto que o saudoso escritor Gilberto Vitorino de Souza (1929-2004) escreveu sobre a praça,no Jornal Panorama de 1980. Assim ele disse:
"A praça São Sebastião está
localizada no bairro de mesmo nome, abaixo das linhas férreas, fazendo divisas
com as ruas Wenceslau Braz, Pacífico Vieira, Barão de Pouso Alegre, Gastão
Victorino de Souza e Luis Leite. Recebeu este nome em homenagem ao padroeiro da
paróquia, erguida no alto da praça.
O dia 20 de janeiro é uma data
significativa para a comunidade que frequenta a paróquia, pois esse dia é
consagrado ao glorioso mártir São Sebastião. Antes da descrição da praça e suas
origens, descreve-se uma pequena biografia do patrono da praça e padroeiro do
bairro. Em sua imagem vê-se um homem viril, robusto, amarrado em uma árvore e
cravado de flechas no braço e no peito, e sob influência desta imagem,
transportemo-nos ao ano 284 da era cristã, época em que a dinastia dos Césares
tinha o domínio do mundo. Nesta época o capitão Sebastião era o chefe supremo
da polícia do palácio imperial, admirado pelo imperador, pelos nobres e por
toda a cidade de Roma; de caráter exemplar, era fiel ao Rei, tinha méritos
militares, mas acima de tudo destacava-se por sua personalidade e dotes
espirituais. Nasceu na cidade italiana de Narbona e viveu a infância em Milão.
Pertenceu à ilustre família e desde menino tinha propensão para as coisas
divinas. Na Roma dos Césares havia a perseguição aos cristãos, com câmaras de
tortura nas praças públicas. E somente eram libertados aqueles que renunciassem
a sua fé. Gozando de sua competência junto a César, o capitão Sebastião cumpria
suas obrigações como militar e seguia o Cristianismo com toda a pureza. Em
reuniões secretas, ele pedia aos fiéis que não renunciassem e seguissem amando
quem derramou sangue para nos salvar. Após certo tempo o capitão Sebastião foi
traído por um apóstata que
contou ao imperador Diocleciano tudo que ocorrera. Intimado por César, o
capitão Sebastião confirmou tudo e reafirmou sua fé, pedindo ao soberano que se
unisse a sua religião. Diocleciano por sua vez, revoltado com o capitão,
ordenou à guarda palaciana que amarrassem Sebastião a uma árvore e o matasse a
flechadas. O corpo do mártir foi dilacerado por flechas, e os arqueiros,
supondo a morte da vítima saíram do local, com ideia de enterrá-lo no dia
seguinte. A altas horas da noite uma mulher cristã foi buscar o corpo de
Sebastião para enterrá-lo com práticas religiosas, porém notou que ele ainda
respirava, e, retirando as flechas e desamarrando, levou-o para casa. Tempo
depois, já curado, e contra a vontade dos cristãos, voltou ao palácio para
pedir humildemente a César o perdão aos cristãos. Aí foi recuado e morto a
pauladas.
A praça São Sebastião foi criada
no governo de Dr. Mário Rodrigues Pereira, que construiu um dos mais belos jardins
do interior do Brasil, e o apelidou de “Quitandinha”, alusivo ao famoso hotel
Quitandinha da cidade de Petrópolis. A praça, com exuberante urbanização,
possuía em frente um bar com mesas e cadeiras, onde os fregueses eram servidos
ao ar livre nos dias de calor e noites de luar. O dono era o espanhol Digno
Esteves Gonzáles, figura que participava dos grêmios teatrais “São Sebastião” e
“Soloni”; também participou do jornal “O Eco”, que circulou na década de 1950.
O bar possuía serviço de alto falante que tocava músicas, as quais eram pedidas
por rapazes e moças a seus pares. A praça era maior e mais moderna que
atualmente, possuía um encantamento com árvores frondosas, um grande aviário
com pássaros raros e um jardim zoológico com vários animais como jacaré,
capivara, veado, cágados, pacas, pombos, bicho-preguiça, mico-estrela, gavião,
aves e outros mais. Anos depois todos os animais morreram, talvez pela elevação
do custo de vida, todavia o jacaré sobreviveu à carestia, porém, sentindo-se
depressivo, resolveu dar umas voltas pela vizinhança, e com seu faro jacarino,
descobriu o Córrego da “Olaria”, foi banhar naquele córrego e não se teve mais
notícias.
Neste local, na década de 1940,
foi construído exuberante e majestoso jardim na Praça São Sebastião, onde
anteriormente existia uma várzea pertencente ao Sr. Pacífico Vieira (avô do
Toninho Pires, chefe dos escoteiros). Era apelidado de “Varginha”, onde a
molecada jogava bola. À noite a “Varginha” era local de marmanjos, ou seja, de
uma quadrilha juvenil que se reuniam para assaltar hortas, além de travarem
brigas com quadrilhas de outros bairros. A quadrilha de Varginha era mais
temida devido ao porte da turma, que tinha o “Zé da Liquinha”, o “Tonho da Dona
Maria Carneiro”, o “Tião da Dona Maria” e outros. A rivalidade das quadrilhas
da parte baixa com as da parte alta acontecia principalmente na “Semana Santa”,
de forma que “o pau comia”, pois até os coroinhas participavam da briga, já que
a cidade tinha somente as igrejas Matriz de Nossa Senhora da Conceição e de São
Sebastião, sendo que as procissões iam de uma para a outra igreja. Na Varginha existia
a Ferraria dos Freitas, sendo o mais famoso deles o “Chico Ferradura”; e ao
lado existia a padaria “Flor de Minas”, do Sr. Juca de Souza. Este último e sua
esposa Dona Lolô eram pais de vários artistas: José de Souza Júnior, pioneiro
em rádio-amadorismo na cidade, atuando
também na rádio Inconfidência; o cronista Rolando de Souza que atuou na rádio
Clube local, realizando programas de auditório, ficando famoso; a professora e
pianista Lília de Souza; os artistas de teatro amador Irma, Gegena e Vera
(gêmeas), Míriam, Ruth e o próprio Ronaldo; o pianista e organista Vicente de
Souza e o caçula Chiquinho de Souza que é cronista e locutor da rádio Clube. Na
antiga Varginha, atual praça São Sebastião, existem ainda alguns descendentes
de famílias como os do político, fazendeiro e jornalista Sr. Zeca Chaves, os do
Sr. Hernani Nunes, os do Sr. Agenor Ferreira, os do Sr. José Cardoso e o Sr.
Joaquim Amaral, que tocava “tarol” na saudosa Banda Centro Operária. A igreja Matriz
de São Sebastião era antes uma capela e a construção da igreja foi na década de
1930 pelo Monsenhor Moreira, pároco da matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Antônio José Ferreira ficou um tempo à frente da igreja e de uns tempos pra cá,
tem como cooperador o seu irmão Padre Ermano José Ferreira. Sob o comando de
Pe. Antônio foi construída ampla escadaria de acesso e grandioso salão
paroquial, com salão de festas, boa música, boa ventilação, palco de
apresentação teatral contendo bastidores e camarim, além de cinema, no qual
eram exibidos filmes, sendo operador cinematográfico, o Leone, que morreu bem
jovem. No salão paroquial foram encenadas muitas peças teatrais, ao som do
flautista Ito Alves, do clarinetista Ernane Machado, da violinista Odete
Capichoni, do violinista Gugu e dos atores Terezinha (casada com Odir Martins),
Zilá Andrade, Ruth da Dona Zeca, Lia, Judith Borba, Elaine (casada com Wilson
da Sapataria Futurista), Dr. Arnaldo Penna, Avelina Maximianos e Geni (esposa
de Juca Biagioni). Quem organizou e dirigiu o Grêmio Teatral São Sebastião foi
Dona Francisca (casada com o Geraldo, irmão de Pe. Antônio).
Antes da construção do jardim da
praça, o local era todo gramado e tinha o apelido de “Varginha”, servia como
palco de parques de diversão e de circos. Ali acontecia várias apresentações
com artistas de teatro, acrobacia, malabarismo, trapézio, globo da morte,
picadeiro com animais, lutas livres, palhaçadas e encenações de peças. Isto era
o divertimento do povo, pois pouca gente tinha rádio e TV em casa. Dos grandes
parques, o que mais se destacou foi o Shangai, que tinha montanha russa,
tira-prosa, chicote, polvo, roda gigante, trem fantasma, pista de automóveis
elétricos e outros.
Minha infância aconteceu
brincando na Varginha, pois meu pai tinha uma casa do lado direito da
igreja-matriz de São Sebastião. (Rua Barão de Pouso Alegre / São Dimas) "
Fonte: SOUZA, Gilberto Victorino de
- Jornal Panorama, Ano II, nº86 - 20/01/1980.
http://bibliotecalafaiete.blogspot.com/p/ruas-pracas-e-avenidas-da-cidade.html
ERRATA: No texto foi dito que a Igreja de São Sebastião foi construída na década de 1930,mas informação equivocada.
Na verdade,sua origem foi a provisão de 1903,mas a Igreja de São Sebastião começou a ser construída em 1909,e aumentada na década de 1930 durante o tempo do Padre Moreira.
CONTINUA PARTE 2 ...